Fragmento
Faixa de pedestre
Duas pombinhas atravessavam a faixa de pedestre destemidamente. Uma cena curiosa. Não fotografei. Estava dirigindo, e não é permitido por lei usar o celular nessas condições. Além do mais, cumpria outra regra, a de parar na faixa de pedestre. Não precisei da imagem arquivada em nenhuma galeria; meus olhos fizeram o registro.
Uma à frente da outra. Os passos curtos, certo balanço no andar, os olhos fixos no caminho e o destino logo ali; a grama verde, renovada com o período da chuva. O obstáculo? A travessia e o meio-fio alto para pernas (tecnicamente Tibiotarso) tão pequenas.
Talvez encontrem alimento. Restos de comidas jogados nas calçadas e nos gramados. A vida urbana não é fácil para elas. Em uma pesquisa rápida, descobri que os pombos vivem em média de três a cinco anos nas cidades. Uma alimentação inadequada, doenças, predadores e atropelamentos interrompem uma vida que teria no mínimo mais dez anos em um ambiente favorável à sua longevidade. É assim com os humanos, também, não?
Me assustei com o grito da buzina do carro atrás do meu. Sinalizei que dois seres vivos atravessavam a faixa de pedestre. Não sei se fui clara com os gestos que fiz com as mãos, mas continuei parada, até que terminassem a travessia.
