A escritora por ela mesma

“Meus escritos nascem como cartografias, articulando memória e território como reescrita do mundo. A ancestralidade se torna tecnologia viva, tensionando o tempo linear e instaurando fricções na contemporaneidade. Entre linguagem visual e textual, desenvolvo uma prática que aciona a cosmopercepção como método, deslocando epistemologias hegemônicas e afirmando a narrativa como contra-arquivo e estratégia de permanência simbólica.” 

A trajetória de Walkyria Novais como escritora emerge do entrecruzamento entre artes visuais, memória e investigação decolonial, consolidando uma prática que articula palavra e imagem na construção de narrativas sensíveis e críticas. Seu percurso tem início na escrita como extensão de sua produção plástica e se amplia em uma pesquisa contínua sobre ancestralidade, corpo-território e cosmopercepção, compreendida como uma forma de reconfigurar o olhar e deslocar epistemologias hegemônicas. 

Ao longo de sua trajetória, desenvolve projetos autorais que tensionam os limites entre literatura, ensaio e poética, articulando engenharia narrativa e crítica histórica a partir de uma

perspectiva situada. Sua atuação também se insere em circuitos coletivos e independentes, com participação em antologias, processos curatoriais e iniciativas voltadas à circulação de vozes dissidentes, especialmente aquelas vinculadas a produções negras, femininas e contra-hegemônicas. 

Sua relação com o Paraná, especialmente com Curitiba, atravessa sua escrita como território de fricção, onde coexistem apagamentos históricos e potências de reinvenção. Entre a urbanidade e as camadas invisibilizadas da memória, sua obra tensiona paisagens, silêncios e disputas simbólicas, elaborando a escrita como gesto de reterritorialização e permanência. 

“A escrita, para mim, é território de reexistência: um gesto de escuta que transforma memória em presença. Volto sempre à ancestralidade como quem retorna à fonte, não para repetir o passado, mas para reativar futuros interrompidos. Meu trabalho busca inscrever, entre palavra e imagem, outras formas de ver e habitar o mundo, onde a cosmopercepção se torna prática de ruptura e reinvenção.” 

Palavras-chave: ancestralidade; corpo-território; memória; cartografia.