Arthur Ruiz Borin
As eleições presidenciais brasileiras de 2022 foram marcadas por polarização e clivagens regionais. O presente trabalho analisa os determinantes socioeconômicos e demográficos do voto no segundo turno presidencial, investigando a hipótese da não-estacionariedade espacial e a influência ativa do território no comportamento político. Para superar as limitações de modelos globais e de escala única (GWR), aplicou-se o método de Regressão Geograficamente Ponderada Multiescala (MGWR) sobre os dados dos 5.570 municípios brasileiros. A abordagem teórica integrou a geografia eleitoral crítica, adotando uma perspectiva interdisciplinar para explicar os efeitos das variáveis, da composição e do contexto. Os resultados confirmaram a heterogeneidade espacial dos coeficientes. As variáveis sociais revelaram-se os determinantes mais intensos e voláteis. Variáveis econômicas, como Densidade do PIB, tenderam a apresentar comportamento estacionário (global), indicando um alinhamento estrutural das variáveis. Demograficamente, observou-se uma ruptura geracional e de gênero, com homens e jovens inclinando-se à “direita”. Os votos se comportam como escolhas de proteção (conservadorismo particular e local de cada realidade). Conclui-se que o território brasileiro não atua apenas como receptáculo passivo de dados, mas como um agente mediador que ressignifica as variáveis materiais e sociais, exigindo políticas públicas e análises regionalizadas para a particularidade de cada variáveis.

