Fragmentos

O apelo da natureza

Naquela manhă de sol,
que parecia ser bela,
um pequeno rouxinol
pousou na minha janela.

Surpreendeu-me seu trinado
repleto de melancolia!
Estava desafinado
com a beleza do dia.

Falou-me em nome das flores,
das florestas e animais,
contando-me seus temores
de não existirem mais.

Os mares andavam bravios
ameaçando vinganças
e esses homens sem brios
autores de tantas matanças.

Eles nos deixaram atônitos
brincando de explosões.
Manejam mísseis atômicos
como se fossem rojões.

A nuvem embrulhou o sol
que se negou a brilhar,
solidário ao rouxinol
que não quis mais chilrear.

O dia que prometera ser lindo
ficou cinza, triste e frio,
deixando um desgosto infinito
carregando de fastio.

A noite desceu tenebrosa,
sem estrelas, sem luar.
Parecia estar furiosa
querendo nos assustar.

Ouvi um cachorro uivando
em meios à escuridão.
Vi corujas revoando,
nada mais... só solidão.

Volta por cima

A Volta Por Cima
Extrapolei os sonhos!
Vivenciei as mágoas.
Convivi com fracos,
suportei os falsos.
Mantive-me em pé,
mesmo com pedras
me atingindo em cheio.
Varri da alma
a revolta ignóbil,

a tristeza vã,

a descrença falsa.

Reabri meu coração à vida,

deixei reflorescer ternura...

Olhei em volta e para o céu sem fim.
Aceitei o mundo, aceitei a vida.

A vida e o mundo que mereci pra mim.

Obrigada, Senhor,

pela volta que a vida me fez dar.

Aprendi a amar-Te, sem mandamentos

pelas simples razão de Te amar.