Fragmentos

Presa

Agasalho-te com meus abraços,
Dançamos os mesmos passos,
Sonhamos os mesmos sonhos…

Esta paixão se tornou
Ardente e valiosa,
Abusou dos sonhos meus,
Alcançou o infinito,
Ao tocar os lábios teus…

Queria parar o tempo
E num raro momento
Ficar estacionada na sublime felicidade
Desfrutando do sentimento…

Vou fazer do teu corpo,
O meu eterno paraíso,
Não dominar meus impulsos,
E que nunca te deixar seja preciso…

Flutuo nas ondas do teu corpo,
Fico imersa no oceano do teu olhar
E quando percebo estou presa,
Pronta para te amar.

Água

Como uma voz que em segredo
Reza em momentos de mágoa,
Sai gemendo um fio d'água
Do coração do rochedo.
O sangue branco das águas...,
A água correndo…
Parece a ladainha amargurada
De alguém que está sofrendo…
Água…
Sangue vivo no rio,
Como em artérias,
Estuante, e pelos córregos azuis,
Pelos veios
A fecundar o corpo vivo e esquivo da

Terra,
A tumultuar,
No leito das areias…
Estás presente
Nas vasas deletérias
Onde a vida se perde,
Na decomposição do brejo verde,
Nos riachos do Brasil...

Poeira estelar

Às vezes é preciso estar
Nas entrelinhas da vida
Para que se saiba
Aonde se encontra o equilíbrio
Do amor, do ser, do sonho.
As vezes é preciso Construir castelos enormes
Com as ruínas
Que surgem com o tempo no peito.
Às vezes é preciso
Caminhar sozinho..
Às vezes é preciso lembrar
Que não somos muito,
Que somos apenas…
poeira estelar.