Fragmentos
Sequência
Debruçada
na janela imensa
destes teus olhos verdes,
minh’alma
ébria de desejo
tonteia
e entrega
meu corpo
na bandeja
do anoitecer
dos teus cabelos
que negros
se estendem
sobre meu rosto...
As árvores todas
inclinam-se
sobre nós,
entrelaçadas...
Amanhece...
Sonhamos?
Saudades do teu olhar
Saí
das águas do mar
(meus olhos pincelando
de azul, o céu...)
o corpo todo molhado
de um louco desejo
de te encontrar...
Pelos meus dedos
escorrendo
saudades
do teu olhar...
nos meus cabelos,
o perfume
das tuas mãos
e na minha boca
a marca
do teu beijo...
e no meu coração
teu abraço de espumas
feito
impressões
digitais…!
Viandante
Ir...
... por um campo sem fim,
feito folha ao vento...
... ir...
Sem bagagem, leve como um sonho.
Ir
pelo caminho das estrelas
qual um pássaro, meteoro azul.
Ir, apenas,
sem compromisso...
... ou simplesmente ser uma nota musical
na partitura de um piano.
Ou por que não o silêncio de uma sala vazia?
Sim. Qualquer coisa que voasse,
que fugisse e que ficasse no ar,
suavemente...
Ir...
clandestino no trem da vida,
a todo instante partir
da estação do destino
e se perder
nas trilhas sinuosas
do tempo...
(Haicais)
Vagalumes são
os piscas que a noite risca.
Estrelas no chão...?
Suspensa no céu,
tão calma... pairou... minh’alma.
Nua... nenhum véu.
A lua cochila.
Vento greta nuvem... lento.
Um grilo só, tria...!
Sonho
Tu
me olhas
com olhar
velado,
qual
me visses sair
de dentro
de uma nuvem...
Eu te fito,
qual te assistisse
nascer
do interior
de uma estrela...!
Soneto de fim de tarde
Já vai bem alta a vida no horizonte
tento alcançar em vão resto de sol,
mas ele já desceu pra trás do monte
só vai voltar de manhã, no arrebol.
Perdeu o vento em louca disparada
o fim da tarde no abismo do céu.
O tempo, ao me ver triste e tão cansada,
derrama meus loucos sonhos ao léu.
Aguardo a carta que não vai chegar,
quero aflita a voz que não ouvirei
desejo o beijo e sei não sentirei.
É longe o carteiro não vai achar
e o telefone vai calar-te a voz
e morrerei deste desejo atroz!...
