Fragmentos
Flutuar
Ser livre
Vestir-se gaivota
Num voo alto
Riscando o céu
Deitar na grama
Contar estrelas
Correr descalça
Mergulhar em paz
Olhar as flores
Sentir o perfume
Inundar o coração
Com música de amor
Sentir o abraço amigo
Viajar nas asas da ilusão
Colecionando estrelas
Cintilantes de emoção
De alma e de sonhos
Rasgando as teias tecidas
Pelas manobras da vida.
Aninhada e protegida
Pelo calor e aconchego
Vestida de esperança
Adormecer.
Transcendência
O tempo audaz
Vestido de pressa
Com as cores da urgência
Desfila e passa...
Leva em seu alforje
O elixir dos anos
Da beleza
E da juventude
Na caixa dos sonhos
Vivem as cítaras,
Os castelos
Os príncipes
E os amores
E como tudo passa
O sonho belo e perfumado
Se desvanece no caminho
Deixando o suave odor
Das flores e fantasias
Em nossa mente
Não temos idade
Nem o espelho dos anos
O sonho dribla o tempo
E permanece vivo
Alimentando pelas
Lembranças e saudade.
O jovem velho
Caminha taciturno pelas ruas
Aquele jovem um pouco encurvado
Seus passos inseguros o conduzem.
Seu semblante pálido nos revela
Um jovem velho sem ilusões
Que se passa pelo seu pensamento?
Qual a tragédia que o atingiu?
Pensativo, solitário...
Em busca de uma vida
Que se perdeu.
Poema
A linda bailarina
Dança, dança sem cessar
Passam dias e passam anos
Ela continua a dançar
Esta pobre envelhecida
Só desperta se a corda lhe der
Fechada nesta caixinha
Só dança se eu quiser
O tempo passa depressa
A bailarina começa a morrer
Movimentos lentos... lentos
Ela já vai fenecer.
