A escritora por ela mesma

Escrever é uma realidade inserida na minha ancestralidade. Eu não preciso olhar para caneta e papel para ser encantada. Eu vou misturando letras, palavras, sons e folhas nas realidades e na ficção, tudo por prazer.                        
A literatura mudou a minha vida, o meu destino de menina preta e pobre moradora em um violento beco de morro onde a infância era tão curtinha, mas tão curtinha, que não dava tempo de ver.
Na minha caminhada de mulher preta, professora e escritora produzindo inquietações que ampliam discussões e sonhos, não tive sorte, nem padrinho; tive  determinação  e persistência das minhas ancestrais.                                                      
Na trajetória de escritora, ao mostrar a minha cultura para alguém reinventar o mundo entre as realidades, eu vou fazendo de cada conquista um fragmento de esperança. 
Eu continuo escrevendo porque tenho esperança de que, com a minha produção de resistência eu possa continuar a ajudar melhorar o mundo.