A escritora por ela mesma
Escrever, para mim, é uma forma de permanecer em diálogo com o mundo. É pela literatura que elaboro perguntas, investigo afetos e busco compreender as experiências que nos constituem. A poesia, especialmente, me interessa como espaço de encontro: um lugar onde a linguagem pode acolher aquilo que, muitas vezes, não encontra lugar em outros discursos.
Minha trajetória como escritora é atravessada pela formação de leitores, pela mediação literária e pelo trabalho editorial. Essas experiências me ensinaram que a literatura não é apenas um gesto individual de criação, mas também uma construção coletiva, feita de pontes, escutas e oportunidades compartilhadas.
Escrevo movida pela curiosidade, pela observação do cotidiano e pela crença de que as palavras podem ampliar nossa forma de habitar o mundo. Encontro inspiração nas histórias das pessoas comuns, nas memórias, nos silêncios e nas pequenas resistências que sustentam a vida.
Como artista, acredito que minha missão não se encerra nos livros que publico. Ela está também em abrir frestas para aquelas que virão depois. Criar caminhos, compartilhar aprendizados, ocupar espaços e, sobretudo, ajudar a torná-los mais acessíveis para outras mulheres. Entendo a literatura como um território de permanência e de passagem: recebo muito das mulheres e dos escritores que vieram antes de mim e procuro, por meio do meu trabalho, deixar portas entreabertas para quem ainda está chegando.
