Fragmentos da obra
Hino ao poeta
Fico a ouvi-los, leio em paz
São tão belos, obras primas
Não importa quem os faz
Sejam livres, ou com rimas
Liberdade, a alma traz
Estão nos livros, nas esquinas
Nos concertos, nos corais
Na pureza das meninas
Ou nos escritos dos jornais
Bem-querenças paladinas
Sinto o verbo me tocar
Um querer, querer demais
Um poeta faz sonhar
A poesia pede mais
Leva-me também a amar
E em fogo flamejante
Sem um verso repetido
Canta, trova, a esse amante
Que, com o coração abatido
Faz-se em entrega fulminante
Oh! poeta, poesia
Faz da arte a utopia.
Aventureiro
O veleiro, meu veleiro
Voa tácito no mar
Passa perto de um cruzeiro
Na escolha vai entrar
Comandante vem ligeiro
Espera o vento passar
Meu veleiro companheiro
Louco para cair no mar
Esse vento traiçoeiro
Faz minha vela balançar
Não tem reza nem dinheiro
Que me façam ancorar
Invernais
Curitiba das minhas madrugadas
Brancas, gélidas de geadas
Banho quente, quentão e pinhão
E as deliciosas gemadas
Curitiba dos meus pinheirais
Lindas azaleias nos quintais
Capotes escuros, cachecóis
Gentes singulares ou plurais?
Desejo
Tenho um hábito bem matreiro
Dormir com os pés de fora
Acordar cedo e ir no banheiro
Tudo rapidinho, sem demora
Depois vou tomar café
Torradas, doce e margarina
Oração diária aos que têm fé
E despertar minha oficina
Vou devagar me dando corda
Buscando o ritmo e a rima
Ligeiro ninguém acorda
Atropela e passa por cima
Bem de noite estou acordada
Pronta para colocar os pés de fora
Logo, sempre estou atrasada
Volto a dormir por conta da hora
